
Perfet for me
O alimento básico de qualquer aquário, espécie de liberdade oferecida por uma natureza própria, de quem nasceu de vidro e perfeitamente transparente.
Ao som de uma voz arrebatadora, perante uma energia contagiante, adorei quase em tom de êxtase uma mulher, até me doerem todos os músculos do corpo(!), qual ritual de encantar...Xcelente!
Sei lá... não estou preocupada em definir-lhe um nome... é um fenómeno, uma religião, uma motivação, um espetaculo de musica e dança, um espaço em branco... sei que gosto de parar e ouvir o meu coração mais alto, dar-lhe vida, como se por instantes tivesse eu e ele, sozinhos no espaço, e tudo em volta não correspondesse a nada mais que uma imagem que esta definitivamente fora deste ritmo, e eu flutuoooo...
O índice de violência doméstica em Moçambique é realmente um número assustador, infelizmente o mais assustador é saber que a grande maioria dos casos não são reportados ás autoridades.
Este é o meu irmão, o gajo mais inteligente, mais criativo, mais lindo e mais mau feitio que já conheci... a pessoa que mais me faz lembrar que tive uma infância espectacular... e que por muito que a vida nos tire, temos o direito e o dever de lutar-mos por aquilo que acreditamos, nem que seja contra a maré, nem que as forças nos falhem, nem que cada paço seja um recomeço... o fincar do pé na areia leva-nos para a frente e mantêm-nos vivos.
A arte é, provavelmente, uma experiência inútil; como a «paixão inútil» em que cristaliza o homem. Mas inútil apenas como tragédia de que a humanidade beneficie; porque a arte é a menos trágica das ocupações, porque isso não envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de música, fazia-se um deserto extraordinário. Acreditem que os teares paravam, também, e as fábricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte é, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e há decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam à experiência inútil que é a arte, pessoas como Virgílio, por exemplo, e que sabem que o seu silêncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e só ficasse no ar o ruído dos motores, porque até o vento se calava no fundo dos vales, penso que até as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vitória, com a mansidão das coisas estéreis. O laço da ficção, que gera a expectativa, é mais forte do que todas as realidades acumuláveis. Se ele se quebra, o equilíbrio entre os seres sofre grave prejuízo.
Tenho que trabalhar, planear, organizar, desenvolver, produzir e estudar e ler uma resma de revistas importantíssimas para o meu cérebro saber que existe vida lá fora... e só penso que tenho que tirar este maldito verniz vermelho com que inventei de pintar as unhas, dos pés(!)..., mas porque raio as mulheres são tão complicadas, porque raio eu adoro o meu cabelo comprido, e sempre que ele fica lindo e maravilhosamente cumprido o corto, sempre... sim, porque acabo de parar para fazer um chocolate quente, e depois para o saborear melhor, vim sentar-me aqui cheia de vontade de escrever alguma coisa de util, e só me apetece dançar, bem ao menos já me passou a panca da falta de cor com que andei, sim, sempre tive esta capacidade para descobrir antídotos contra maus estares, maus olhados e demais voodoos que nos vão acontecendo neste percurso... sim, continuo com vontade de dançar, e a duvida existencial de hoje é, pinto as unhas de pérola ou de rosinha... não me interessa, ganda XôXo que te dava!

imaginei-me um grão de areia, comprimido durante séculos por milhares de outros mais iguais que nunca... a onda veio e rendi-me à imponência do momento, descobri-a no horizonte, senti uma espécie de dormência, acho que tremi, não sei ao certo... lembro-me que me senti inquieta, mais atenta, os meus instintos redobraram os segundos de hipnose, e toda eu era medo, duvida, ansiedade, deslumbramento, esperei toda a minha vida por aquela onda... e de repente lá estava ela, a erguer-se majestosa sobre mim, olhei-a a fundo, como quem olha nos olhos, primeiro o azul era escuro, depois mais claro, até se tornar uma espécie de branco quase celeste, com sabor a lágrima... vim-me envolvida por um braço de mar a uma velocidade alucinante, desesperei com a falta de ar, senti o peso da agua a comprimir-me contra um chão que desconheço, a transparência doía nos olhos e os raios de sol intensificaram-se, expondo-me no auge de um céu magnifico sob esta altitude... era um fim de tarde, senti-me lúcida e de alma e corpo lavado, solto... pela primeira vez, deslizei sob a força desta natureza, desta forma de viver sob instantes arrebatadores, próprios de quem encara de frente o melhor que a vida tem... aterrei, ferida, desnecessariamente salgada, comprimida por milhares de outros grãos mais iguais que nunca... exausta, deixo-me ficar.......... a olhar o mar. 



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