
.. gosto de carinho no pescoço, mão dada e beijo na boca..
O alimento básico de qualquer aquário, espécie de liberdade oferecida por uma natureza própria, de quem nasceu de vidro e perfeitamente transparente.

Acordei cedo, deitei cedo... a tV faz-me sono, as pessoas fazem-me sono, os livros fazem-me sono, os dias fazem-me sono, o sofá adormece... está uma manhã fresca e abri a porta para deixar entrar o dia, para que me cumprimente com um arrepio, há décadas que não arrepio... porque será que o verbo deixar se escreve com um x? Estranho, somos estranhos... por outro lado, como tal palavra se poderia escrever de outro modo, imagino o florete do Zorro a riscar isto na parede da sala de jantar, claro que usando o x a coisa corre muito melhor, é mais drástico, sente-se melhor a parede, os riscos são precisos, diminui-se a probabilidade de erro,.., pensando melhor gosto de um x á zorro, el matadora,.., nuanças desta nossa língua tão aristocrática e cheia de mitos e ironias... vem um cheiro a torradas lá de fora e não tenho pão, o cão salta e grita-me palavras que desconheço, ao menos este olha-me com ternura, ganha um afago,.., não são torradas, alguém queima lixo na rua, engraçado ser a letra x tão pouco usada e já estar na segunda no mesmo texto, a vizinha esta a queimar as folhas da sua floresta privada, cada casa cada floresta privada, porque falar dos últimos dias da vizinha não seria justo é boa pessoa e não merece... no outro dia, o dia das confusões na cidade, fui-lhe bater á porta, dei-lhe uma vela, na realidade agarrei em 3 velas e fui oferecer a cada um dos meus vizinhos, -aquela hora das 8, acendemos todos uma vela vizinha é a mensagem que está a passar. Moçambique está carregado de gente boa, de boas energias, e eles todos, os 3 que me abriram a porta ainda assustados, agradeceram com olhos de criança e agarraram-me na mão em tom de estamos juntos, sem palavras, há momentos que nos são na realidade completamente supérfulas,..., não que seja religiosa, sou agnóstica, mas ela é Muçulmana e recebeu-me com um olhar mesmo muito muito triste, pensou que a vela era para ela e não para o momento que a cidade vivia, arrependi-me, salvos algumas excepções as pessoas entendem os meus gestos... porque será que ás vezes damos tudo e nos entendem exactamente ao contrario,..., estou cansada e faz-me falta a minha mãe e o meu pai, há colos que se nos faltam acabam com o sentido deles para sempre... até os podemos encontrar em algumas pessoas, daquelas que entre 100 nos aparecem e sabemos á partida que são sinceros, desprovidos de interesse e nossos... dei sempre muito importância a amigos, aos bons amigos, como escrevo sobre o assunto, lembro-me que foi desde que os meus pais foram para outro universo que comecei a dar ainda mais importância, aos bons amigos, como se por obra e graça do espirito santo o amor de todos fizesse com que me sentisse menos sozinha neste mundo, quando será que vou deixar de ser besta e começar a pensar como um adulto, ...,
arrepiei, não cheguei a ir até á lua, as minhas tendências para astronauta nunca passaram de um beijo que me lá levou um dia, quem sabe volto lá, há beijos que ultrapassam as fronteiras do sexo e tornam-se imortais, habitam para sempre em jupiter. VOU FAZER CAFÉ.

Choram torrentes de agua lá fora e sinto que a minha terra de algum modo chora como eu, temos isso em comum… um pranto tempestivo e de curta duração… depois, logo depois, aparece o sol, arregaça qualquer sorriso e ajuda a aquecer a agua que ficou dentro.
... um dia estabeleço uma meta, conhecer pelo menos uma pessoa por mês... sim, é algo que realmente eu gostava de conseguir fazer... claro que não são todas as pessoas que me inspiram... o estranho, é que ás vezes sinto muito mais vontade de conhecer aquela pessoa com quem não fui com a cara, que me irritou por este ou por aquele motivo... enfim, é definitivamente uma panca minha, mais uma apenas que resolvi registar... 
Todos nós temos um vício e quando não temos procuramos por um e quando não o encontramos falta-nos alguma coisa que não sabemos ao certo o que é… é exactamente nesse preciso momento, ao sentir essa falta, que agarramos um vicio qualquer… sim, acho que todos nós temos que invariavelmente nos agarrar a algum tipo de vicio, a curiosidade do salto no precipício, cada um com a sua droga… e drogas não se discutem porque não há qualquer tipo de racionalidade nelas, como se o uso dessa irracionalidade nos servisse para nos suster em cima dos saltos altos da nossa razão, sim porque viver na razão é como viver nas alturas, exige muito equilíbrio e um q de vontade.
Faz um ano que a minha vida profissional deu o pino,



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